Domingo, Maio 11, 2008

MÚSICAS PARA O RITITI-BOY (V)



Elvis Presley - Can't help falling in love

E uma necessária reflexão dominical sobre a má qualidade do macho actual, sobre a pouca validade da maioria dos homens que enchem os nossos passeios, as oficinas bancáricas, os postos médicos, as colunas dos jornais, os cafés e as salas de cinema, homens públicos e privados, em geral e sem país determinado. São feios, mas isso é o de menos; mais alarmante é a falta de estilo, as péssimas formas à mesa e na fala, os pontapés óbvios na semântica e nos modos que qualquer pessoa mínimamente consideraria básicos. Mais que higiene, cordura, gosto ou magreza, o que falta aos homens do mundo moderno é educação masculina, uns cursos elementares de hombridade. Por favor, deixem de se comportar como mulheres. E isto é uma súplica.

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Sexta-feira, Maio 09, 2008

QUEM DISSE QUE ESPANHA IGNORA PORTUGAL?


Spot Burger King, Extreme Brava

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Cronista feminina que se queira digna de respeito literário faz auto-censura, tem temas que são tabu e dos quais, por muito que lhe doa a alma (mal do que sofremos todas as cronistas femininas, até aquelas que se recusam ir ao cabeleireiro) nunca escreverá, por bem da sua reputação pública e da cada vez mais insípida e anestesiante literatura de fim de semana. Temas que encaixariam dentro do que (mal) se deu a conhecer como Universo Sex and the City e dos que fogem a sete pés todas aquelas que pretendam apresentar-se com certa elevação intelectual, temendo ser catalogadas como seres fúteis e amantes da moda e das dietas rápidas. Assim, assuntos tão importantes para o bem estar global e interplanetário como a “operação biquíni”, “oh meu deus, a minha sogra vem passar uma semana a casa” ou “ será possível voltar a caber dentro da 38 depois de parir?” transformaram-se nos verdadeiros párias do mundo da crônica escrita, nos temas intocáveis por supor um rebaixamento cultural e uma suposta vergonha para todas aquelas que um dia se quiseram comparar, pela nivelação idiota, com os grandes machos da coluna semanal.

E mais no Pnet Mulher, o sítio das sextas feiras

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Quinta-feira, Maio 08, 2008

MOMENTAZO GINA: SÓ PARA HOLA-LOVERS


A Biblia

Qualquer leitor rititiniano minimamente dedicado à minha causa já deveria saber a estas alturas do campeonato, pela conta que lhe traz, da minha adoração t-o-t-a-l pela ¡HOLA! do meu coraçãozinho de rosas engomado e, mais ainda, pela baronesa Thyssen-Bornemisza, a rainha das artes penduradas que, mesmo que lhe ameacem de morte ou rapto dos quadros de Hopper, nunca-jamais-ever entrará num cabeleireiro. E uma capa como a desta semana, com exclusiva de 28-páginas-28 com a apresentação das gémeas adoptadas (Sabina e Carmen, obrigada santo deus por este momento), as fotos dos seres dormindo plácidamente na pink house (ahhhhh), os detalhes das personalidades das criaturas, os restos de botox nos lábios baronesos... Ai, toda uma explosão orgásmica de piroseira, toneladas de euros desperdiçados em alcatifas de hello-kity e amor maternal que nem a melhor telenovela venezolana poderia oferecer. Há dias felizes .

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Terça-feira, Maio 06, 2008

RITITI NO AR - FINALMENTE ACTUALIZADO



Já está disponível a minha entrevista na Antena 1 ao Pedro Rolo Duarte. (Ouçam sem medo, que por respeito à audiência matutina do canal público só disse um palavrão, e foi sem querer). Obrigada, Pedro, mais uma vez e, desde Madrid, um grande beijo.

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Segunda-feira, Maio 05, 2008

ACHO QUE ESTA CRÓNICA ANTIGA FAZ SENTIDO HOJE

FEMINISTA, EU?

«Porque tu, no fundo, és uma feminista». Ser contra o maltrato, a mutilação genital, a burka e a descriminação salarial não faz de mim senão uma pessoa sensata e consciente dos problemas concretos do que se poderia chamar o «meu género» e não uma exaltada activista dos direitos femininos. Aliás, nem todas as mulheres estamos feitas para o feminismo (pelo menos para o conceito estereotipado e antipatriarcal). É um exercício duro, que implica o ensaio diário da desconfiança contra o meio, está mal visto pelos argumentistas de séries de televisão e – recordando o histórico visual das grandes líderes - provoca miopia, daltonismo, crescimento acelerado de pelugem na sovaqueira e flacidez nas até agora consideradas zonas eróticas femininas. São demasiados os inimigos das feministas, demasiadas as causas da opressão, demasiadas as razões para estar sempre de punho levantado e um único culpável pela desigualdade salarial, social, económica, legal, familiar, legislativa, laboral, física, educativa e sexual. Razões, bem vistas as coisas, não nos faltam para a vingança concreta e dolorosa, mas acontece que o alvo favorito das feministas é tão precioso como indispensável: o macho. E a mim, sinceramente, custa-me acreditar nas bondades de um mundo sem homens, sem futebol, sem pugilismo e sem revistas de automóveis.
E entre as dúzias de razões que me afastam do feminismo está a falta de autocrítica a que fica reduzida este movimento, que mais facilmente prefere sentir-se vítima que reconhecer que muitos dos perigosos preconceitos machistas são transmitidos pelas mães, incapazes por educação, riqueza ou valentia de inculcar o conceito de igualdade entre os sexos. Os grandes pecados do feminismo são a excessiva condescendência com os nossos medos – uterinos ou não – e o constante apelo à maternidade para rebaixar os homens ao nível do fornecedor da semente. As fêmeas somos uma espécie de deusas da vida enquanto eles, coitados, não passam de garrafas de espermatozóides em busca de um lar. Por não falar do rumo que nos últimos tempos têm tomado alguns sectores do feminismo, que sacam as unhas para demandar o que consideram um retorno à real essência do feminino: o importante e menosprezado acto de parir. Um horror. Senão reparem. Parece ser que à «mulher de verdade» já não lhe basta com trabalhar doze horas como executiva terminator, andar sempre impecável sobre uns saltos assassinos, saber combinar cozinha japonesa com a tradição alentejana, estar casada com um Ken qualquer de classe média-alta, votar esquerda e a favor do aborto, ter três filhos poliglotas e um Audi na garagem. Atrás ficou a paridade social e a luta de sexos. Porque agora as feministas lembraram-se que afinal o que aflige a mulher é o preconceito médico, científico e até social, incapaz de entender que ter filhos é tão natural como a vida mesma, a água que corre pelos rios e o canto dos passarinhos. A classe médica, esses fascistas de bata branca, só pretende despachar o parto o mais rapidamente possível para ir jogar golf com as suas amantes as enfermeiras, fazendo uso de instrumentos medievais de tortura como o poldro obstétrico, a sala do hospital ou o corte vaginal.
No verão de 2006 a jornalista espanhola Rosa Montero chamava a atenção desta terrível realidade na sua coluna do suplemento de domingo do El País, indignada pelo «trauma, pesadelo e sensação de maltrato» a que estão subtemidas as mulheres em Espanha e na América Latina (imagino que Portugal também entre no seu estudo de países terceiro-mundistas e brutais para as parturientes). Lá fora, na Europa civilizada, vitaminada, multicultural e oxigenada as mulheres parem naturalmente num lugar cómodo (a casa, uma tenda de campanha hippie, rodeada de baleias) e : «enquanto dura a dilatação as mães podem mexer-se cómodamente y fazer uso dos meios naturais para paliar a dor: tomar banho, receber uma massagem, sentar-se em grande bolas de borracha». O parto, imaginem, pode demorar horas (dias!), até que o bebé, se a natureza, Deus ou a massagista quiserem, nasça (vivo ou morto, com ou sem paralisia cerebral) e a mãe, essa vaca, tenha sofrido as maiores barbaridades porque em nenhum momento é aceitável a anestesia. Morte à Medicina Moderna! Viva o Matriarcado! E se a criança morrer, que caramba, a mulher pode conceber mais! Ou não é para isso que estamos?
A mulher, concebida como uma égua, um animal, um ser menor sem curso universitário, sem cartão de contribuinte, sem compromissos sociais, sem horários, sem direitos adquiridos, é assim que a tratam estas desocupadas defensoras da suposta feminilidade natural e real. A mulher despojada de dois mil anos de civilização, reduzida à úbere e trasladada à caverna dos Cromagnon. Este é o feminismo de que renego e que não faz favor nenhum às mulheres que exigimos a paridade salarial, efectivas medidas que permitam a conciliação da vida laboral e familiar, o fim dos abusos de poder físico e sexual ou a discriminação de carácter religioso ou cultural. Feminista eu? Assim, não.
(publicado na Revista Atlântico, Novembro de 2006)

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Enquanto não aparece o podcast do programa de ontem

"Es una historia muy personal, lo sé, pero la cuento por la parte enternecedoramente común que tiene. ¿Qué queda de todo eso? Una particular aversión a las ironías que con frecuencia se usan para hablar de las mujeres embarazadas, una convicción de que en España no hemos superado el arraigado desprecio por lo femenino. Carme Chacón, embarazada pasando revista. Y qué. El bombo, se ha llegado a decir. De ese bombo venimos todos. Así que de los bombos habría que hablar quitándose el sombrero. Un cartel americano antiguo que tengo frente a mi mesa reza: "Ellas traen los votantes al mundo, déjalas votar". Pero si fuera amiga de esa mujer inteligente que es Carme Chacón le diría: no tengas prisa, disfruta del pequeño Dios, el tiempo pasa tan rápido que no hay ministerio que se le compare.
Al presidente le diría: tal vez el mensaje esté equivocado; una embarazada no es una enferma, pero es incomprensible que tenga que visitar un lugar de riesgo, lo que necesitamos es tener la seguridad de que el puesto que merecemos nos estará esperando cuando estemos dispuestas a volver. Sin prisa. A los lectores les diría: éste no es un artículo sólo para mujeres."

Elvira Lindo, na sua coluna habitual do suplemento Domingo do El País, sobre a sua gravidez, a condescendência das chefias, os direitos a que não deveríamos renunciar, sobre uma historia muito pessoal.

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Domingo, Maio 04, 2008

RITITI NO AR



Liguem os aparelhos, rápido que ainda vão a tempo, e vão ouvir-me na Antena 1 às 11 da manhã, no programa do Pedro Rolo Duarte. Finalmente, dizem vocês, mas que querem, os voôs Madrid-Lisboa ainda não me saem grátis.

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Sexta-feira, Maio 02, 2008

VIDA DE PRENHA: EU NÃO SOU MAMÃ DE NINGUÉM

"
Mas o que me tira do sério e já me dá comichões alérgicas da impressão intra-uterina é que terceiros me tratem por mamã. “Olá, mamã” e a mim só me apetece sacar da kalashnikov que todas as grávidas deveríamos receber nas aulas de preparação para o parto e, já não digo armar-me em Lara Croft de sete meses e meio (aliás, a minha imagem em mini-calções de cabedal deixa muito a desejar a estas alturas do campeonato), mas pelo menos impor, de uma vez por todas, algum respeito. Mamã? e lá ficam esses seres com um ar do mais satisfeito, como se participassem activamente da minha gravidez e até da minha nova e alargada família, porque afinal esta parece ser a intenção última destes intrusos com pele de cordeiro, ser partícipes, dar palpites, armar-se, achar. Infelizmente, 99% dos casos de interferência é protagonizado por mulheres, a maior parte delas mães recentes ansiosas de partilhar com o mundo (e com a grávida mais próxima) experiências vitais como a obrigação de qualquer recém-parida de comprar um lençol especial para o berço que alerte da morte súbita do bebé. Quem não acha não é gente, deve ser um novo lema de vida destas mulheres, armadas em líderes de opinião, e que parecem ter um CD Rom de pedagogia, puericultura, ginecologia e educação infantil enfiados no cu." (ler o resto da crónica no PnetMulher)

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Quinta-feira, Maio 01, 2008

FIM


E agora? Quem preencherá este meu vazio vital? Grey's Anatomy, essa paneleiragem protagonizada por pós-adolecentes que se comportam como animais em cio com curso de medicina incapazes de controlar um simples impulso sexual e dirigida a gentinha cujos pensamentos têm sempre Celine Dion como banda sonora? Ou a eterna repetição de "aparece um gajo doente no hospital, ai que ele está quase a morrer, façam em dez minutos cinquenta provas médicas que custam um olho do cu e que em Portugal demorariam dez anos em ser autorizadas, pronto é cancro da cartilagem da orelha esquerda, abram-lhe o cérebro à martelada, oh não cuidado que afinal é só alergia ao malmerquer, viva o Dr. House"? Ou talvez Lost, a epopeia do xamanismo televisivo que perdeu o norte há três temporadas, mais ou menos quando os argumentistas decidiram que fazia todo o sentido pôr um urso polar numa ilha do Pacífico Sul? Prenha e sem série favorita, a minha vida em frente ao aparelho mais importante da casa está fodida. De que falarão os que não têm televisão?

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Terça-feira, Abril 29, 2008

ESTA SEMANA NÃO ESPEREM NADA DE MIM



De Carmela Soprano curiosamente pouco foi dito, como se a estética da unhaca lacada de meio metro fosse suficiente para resumir a complexidade desta abelha-rainha do subúrbio manfio. Mas ainda faltam dez capítulos para me poder dedicar ao blogue com seriedade, tenham paciência. E aliás, hoje começo com as aulas de preparação para o parto, conhecido a partir de agora como O Mestrado.

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Segunda-feira, Abril 28, 2008

ESTA SEMANA NÃO ESPEREM NADA DE MIM



Estou encerrada* em casa a ver a sexta temporada dos Sopranos, temporada esta que tive que comprar na Fnac do Chiado porque em Madrid népias, puff, nem sonham quando a terão à venda. Para que logo digam que Espanha é um país avançado, moderno e que merece estar no G-8. O caralhinho, é o que é.
(*encerrada = afundada no sofá e alimentada a soro)

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Sexta-feira, Abril 25, 2008

Nasci um ano depois do 25 de Abril e por muito que leia ou estude sou incapaz de pensar a vida em ditadura, olhando sempre para trás, duvidando do confidente, escondendo livros, pensando no meu irmão morto na Guiné, precisando de autorização do meu pai-marido para comprar um carro. E ouvir vozes saudosas de um passado a preto e branco, vozes que lamentam tempos de morte numa guerra longínqua parece-me horrendo, sinal de gente muito mesquinha, pobre da cabeça e miserável, até. Esta semana, o poeta argentino Juan Gelman recebeu o Premio Cervantes da Língua Espanhola com um discurso terrivelmente dramático que reivindicava a força da memória contra o terror da ditadura, a necessidade de nunca esquecer a morte de inocentes (na Argentina foram desaparecidas mais de 30.000 pessoas, em Portugal uma geração perdeu-se numa guerra que só interessava a uma pandilha de lunáticos agarrados a uma certa ideia de historia) e a urgência do resgate da memória como “único caminho para construir uma consciência civil sólida que abra as portas do futuro”.

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Quarta-feira, Abril 23, 2008

E HOJE EM MADRID, A NOITE DOS LIVROS



E conferências de Juan Gelman e Michel Houellebecq e concertos grátis e livrarias abertas até à meia noite e programação infantil nas bibliotecas e concursos de poesia sms e livros, muitos livros, com descontos, de segunda mão, gastos e assinados pelos autores, à venda nas praças, à porta das lojas e nas ruas, porque é nas ruas que Madrid vive, se expande, de copo na mão e livro na outra, a falar, a trocar umas ideias, a festejar. Por sorte, vivo numa cidade que usa qualquer pretexto para sair à rua. E o livro é uma belíssima razão para celebrar com os amigos, que raio.

Adenda:
Hoje, também foi a entrega do Prémio Cervantes Juan Gelman:



"Para San Agustín, la memoria es un santuario vasto, sin límite, en el que se llama a los recuerdos que a uno se le antojan. Pero hay recuerdos que no necesitan ser llamados y siempre están ahí y muestran su rostro sin descanso. Es el rostro de los seres amados que las dictaduras militares desaparecieron. Pesan en el interior de cada familiar, de cada amigo, de cada compañero de trabajo, alimentan preguntas incesantes: ¿cómo murieron? ¿Quiénes lo mataron? ¿Por qué? ¿Dónde están sus restos para recuperarlos y darles un lugar de homenaje y de memoria? ¿Dónde está la verdad, su verdad? La nuestra es la verdad del sufrimiento. La de los asesinos, la cobardía del silencio. Así prolongan la impunidad de sus crímenes y la convierten en impunidad dos veces." (o discurso completo no El País)

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Segunda-feira, Abril 21, 2008

31 SEMANAS



Tenho o quarto preparado, o carrinho do bebé, quilos de roupa azul claro e a pele, as unhas e o cabelo numa forma estupenda. Tenho livros de auto-ajuda para antes, durante e depois do parto, a casa limpa de ácaros e até tenho o puto matriculado, inscrito e prometido na creche do bairro. Tenho a família revolucionada e a minha mãe doida por ser avó e uma irmã com ataques de compra compulsiva nas lojas da roupinha mais bonita para a criança que todos esperam. E tenho um marido, amante mais que nunca, que se me abraça à barriga e a todo este meu corpo superlativo, imenso e cheio de vida interior e que me faz perder o equilíbrio e o centro de gravidade, mas que me orgulha de tão bonita que me sinto. E tenho também um medo que me acorda a meio da noite, uma espécie de cagufa da que ninguém me falou e que me obriga a perguntar-me se o farei bem e onde se compra o cabrão do livro de instruções, porque para tudo deveria haver manuais, até para saber onde se desliga, onde se tiram férias da maternidade ou se o amor materno-filial é automático como dizem. Porque uma coisa é estar grávida e outra muito mais fodida, ai, é ser mãe. Não posso ficar prenha mais um par de anos?

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Domingo, Abril 20, 2008

O CAPÍTULO QUE FALTOU NOS SOPRANOS


(Bento XVI em NY)

Tony e Carmela Soprano, com os rebentos Meadow e AJ, nas primeiras filas da Catedral de Saint Patrick, em Nova York a ouvir a homilia de Bento XVI. Com as consabidas invejas de Paulie Walnuts, quem apesar de ter pago inutilmente vinte mil dólares em donativos ao Padre Phil não consegue arranjar convites para a missa, de Christopher Moltisanti que ainda acha que Tony lhe deve esse favor por se ter sincerado sobre a traição de Adriana, do patético Artie Bucco e, claro, de Janice, a cabra da irmã que se (re)converteu ao catolicismo há cinco episódios atrás, quando se soube da visita de Ratzinger aos USA. O único apoio de Tony nesta crise ecuménica que já custou um contrato de obras em New Jersey, um carregamento de camiões roubados nas docas e uma ataque de ansiedade com visita de urgência à Dr. Jennifer Melfi é, como sempre, o fiel consigliere Silvio Dante.
Daqui não se vê, mas podemos imaginar o ar de relativa satisfação de Tony Soprano, a meio da eucaristia e sentado ao lado do Governador do Estado, de pequenos e morenos advogados latinos e as suas recauchutadas mulheres, de chefes da polícia irlandenses e de líderes da próspera comunidade italo-americana, e pensa, what the fuck, para alguma coisa deve servir ser o chefe de uma empresa de recolha de lixo. "All due respect, you got no fucking idea what it's like to be number one."

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Sexta-feira, Abril 18, 2008

Pôr a carroça na frente dos bois



"Parece que volta o mito das duas Espanhas irreconciliáveis e antagónicas. Por um lado na televisão falam-me da Espanha Zapatera, paritária e consagrada pela Lei da Violência de Género e o Ministério da Igualdade, uma Espanha onde uma grávida passa revista a um exército que até há trinta anos servia os desígnios de uma ditadura nascida da guerra civil, uma Espanha de deputados e deputadas, de ministras e ministros, de cidadãos e cidadãs, de espanhóis e espanholas por decreto de lei e por cojones."
(E mais, como todas as sextas, no
PNET Mulher)

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QUE SE FODAM OS ANOS 80


Beverly Hills 90210

Podia ter escolhido Twin Peaks, mas o pedantismo não me seduz o suficiente. Eu sou mais de séries hormonais, roupa gira, sofrimentos de colégio de freiras, complexos sobre o tamanho das mamas e o fim da ortodontia e amores nascidos nas discotecas da moda. Aliás, Laura Palmer já estava morta quando a encontraram, que grande codilho.

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Terça-feira, Abril 15, 2008

RITITI EDUCA O POVÃO: HÁ VIDA ALÉM DE MACARENA


NAJWAJEAN - Crime

Para os pirosos que acham que em Espanha só se compõem músicas que rimam com torero, que Chayanne é o herói nacional e que os espanhóis são incapazes geneticamente de verbalizar mais de duas palavras seguidas em inglês, deixo-vos a tomar o pequeno almoço com o último projecto de Najwa Nimri e Carlos Jean, dois seres que quando se juntam se transformam em Najwajean. Um mimo.
E agora vou tomar banho a pensar precisamente no complexo pequenino e vergonhoso que têm os portugueses em relação a Espanha. Já cá volto.

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Segunda-feira, Abril 14, 2008

VIDA DE PRENHA: URGÊNCIAS



Fumar já sei que não... Mas, e um cházinho, não dava?

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Domingo, Abril 13, 2008

PRÉMIO VAI AO CU A TI: RUI GOMES DA SILVA



Se Portugal fosse um país onde as mulheres não estivessem catalogadas como cidadãs de segunda categoria; se os direitos das mulheres, a paridade ou a conciliação laboral para os grandes partidos significassem outra coisa que 30% na estúpida política das quotas; se a sociedade civil fosse algo mais que audiências de telenovelas; se as deputadas do PSD tivessem vergonha na cara; se a teoria da mulher de César se aplicasse a todos os favores e nomeações para cargos públicos que todas as semanas lemos nos jornais sem que a ninguém pareça indignar (alguém se lembra de Gonçalo Santana Lopes, de Jorge Coelho e a Mota-Engil, da recente polémica da Caixa Geral de Depósitos, de Armando Vara? ah, pois);
se a maioria dos colunistas/bloggers não fosse uma cambada de machistas que estão a esfregar as mãos e a rir baixinho pela suposta humilhação pública de Fernanda Câncio (alguém a pôs no sítio!); se aqui os gelados não se anunciassem com mulheres de boca semi-aberta, sutiãn à mostra e em poses nítidamente eróticas ou um canal de televisão por cabo não usasse a imagem de três adolescentes em absoluto estado de excitação sexual, então Rui Gomes da Silva seria corrido à estalada da Assembleia da República, os telejornais começariam um debate sobre o machismo na política portuguesa e o PSD pediria desculpas públicamente à senhora Fernanda Câncio, jornalista com mais de 20 anos de experiência demonstrada e que nunca fez publicidade ou notícia da sua vida privada. Talvez daqui a um par de de décadas a todos se nos caia a cara de vergonha.

(ler ainda Francisco José Viegas, José Pacheco Pereira e Ferreira Fernandes.)

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Sábado, Abril 12, 2008

MUSICAS PARA O RITITI-BOY (IV)


Prince - Musicology

O sentido do ritmo e a coordenação como pilares para uma educação do século XXI. Sempre se engata mais exibindo o domínio da anca.

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ACHO MAL


Calle 13 - Japón

Querido amigo Nuno Vargas, venho por este meio apresentar-te a minha mais profunda indignação. Eu cheia de vida interior e presa a um certificado médico para voar a Lisboa e tu, meu ...*, de férias no Japão. Por muito menos começou a Primeira Guerra Mundial.

*escolher o insulto afectuoso mais adequado para estes casos de dor de cotovelo

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Sexta-feira, Abril 11, 2008

PORNOGRÁFICO



"Não conheço a Fernanda Câncio, não é minha amiga (...) E não sei se é namorada de José Sócrates. Porque é disto de que trata toda esta polémica encabeçada por esse tal de Senhor Branquinho que fala de pornografia na contratação da jornalista para um programa da RTP. Fernanda Câncio, para o PSD (o partido que representa a alternativa de governo, credo!) só vale por quem a acompanha na cama. Este é o tema que inquieta o PSD, os colunistas, as boas cabeças do meu país: a reputação, a qualidade da mulher a quem confiaram um programa na televisão." (mais no Pnet Mulher).

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Quarta-feira, Abril 09, 2008

VIDA DE PRENHA: OS MANDAMENTOS

1 - Ama o teu marido até a exaustão: é o único homem do Universo que te achará sexy com setenta quilos e os mamilos que nem bolachas maria.
2 - Confia na tua mãe como se tivesses cinco anos outra vez. Ou então aprende a coser, a decorar um quarto infantil, a cozinhar cinco pratos em simultâneo ou a tirar nódoas de gordura com areia.
3 - Se precisares de sítio no autocarro, não te acanhes: a agressão física está permitida se esse careca gordo filhodaputa não se levantar do lugar reservado para grávidas. Atirar velhas pelo buraco do metro também não é reprovável.
4 - Sentar-se de pernas abertas é feminino, educado e até sensual.
5 - Abre a tua mente ao fabuloso mundo da hemorróide.
6 - A única pessoa no mundo com gosto és tu (e a tua mãe, ver ponto 2).
7 - Não há nem nunca haverá moda de jeito para grávidas. A única roupa que interessa é que podem usar as miúdas de dezoito anos e com menos de cinquenta quilos.
8 - As aulas de preparação para o parto são essenciais: é o único lugar do mundo onde verás mulheres mais gordas que tu.
9 - Estar grávida não obriga a gostar de crianças.
10 - Curte a gravidez ao máximo. Daqui a um par de meses serás só a vaca que amamenta o príncipe da casa.

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